Chrysti – Capítulo 12

Outros meses se passaram. Eu continuei firme e forte no meu propósito de mudar de vida. Fui à igreja e percebi que o olhar de minha tia e da menina, eram diferentes. Parecia que saía uma luz. Eu queria aquela luz. Eu queria aquela confiança. Queria conhecer aquela alegria que não tinha fim. Mesmo tendo problemas elas eram alegres, e eu …eu não era alegre, estava me libertando das drogas, tinha um lar bonito, era até amada, mas não tinha aquela alegria que vem da alma.
Ouvi uma palavra na igreja:
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;Mateus 6:12
Como posso perdoar alguem que me fez tanto mal? Acho que isso é injustiça! Não posso perdoar essa menina, eu a odeio.
Chegando em casa a observei. Era tão carinhosa comigo e com minha tia, afinal ela não teve culpa em ter nascido…
Meu coração estava mudando, mas será que eu queria perdoá-la. Bem, eu não sei como fazer isso…
Hora do jantar. Como sempre os três pratos colocados junto ao jogo americano vermelho. Os talheres bem posicionados e uma saborosa comida. A menina fez suco natural de limão, eu amo suco de limão com bastante gelo, muito gelo. E assim ela me serviu. Suco de limão com muitas pedras de gelo.
Pela primeira vez olhei para ela e disse:
- Porque me serviu? Porque sempre me serve? Eu não falo com você, nunca falei.
- Não precisa falar comigo mamãe, eu te amo sempre, te amo de graça, porque é minha mãe.
A comida parou em minha garganta, saí da mesa e fui para meu quarto. Tranquei a porta, não queria falar com ninguém. Será que é tão difícil assim perdoar? Não sei o que fazer. Não sei como agir.
Ouvi como uma voz suave a me dizer. Quer ser perdoada por tudo que fez, quer ter uma nova vida, então deve fazer o mesmo.
Sequei minhas lágrimas e saí do quarto. As duas estavam jantando como se nada tivesse acontecido. Será que nada abala essas duas? O mundo cai na cabeça delas e a confiança continua? Muito bem se eu quero ser assim também, devo sacrificar o meu eu. Vamos lá, é agora.
Sentei-me à mesa, peguei o meu prato,coloquei a comida que estava com um cheiro ótimo e disse:
- Anne minha querida passe o sal.
Parece que quando eu falei o nome dela o ódio sumiu do meu coração, havia algo que não me deixava perdoar, algo que até então parecia mais forte do que eu.
Anne passou o sal para mim, mas antes se levantou e me deu um beijo.
- Esse foi o meu pedido a Deus. Que a senhora me amasse. E vejo em seus olhos o seu amor por mim.
Não pude perder a oportunidade e pela primeira vez dei um abraço muito apertado nela. As lágrimas desceram de seus olhos, Anne chorava compulsivamente. Correu e pulou pela sala gritando:
- Deus me ouviu, minha mãe me ama! Minha mãe me ama!
Anne foi para o quarto e pegou a sua pequena Bíblia. Me mostrou a passagem em Isaías 14:24
“O SENHOR DOS EXÉRCITOS jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará.
- Mãe, a senhora está vendo que essa página está suja? É de tanto eu dobrar os meus joelhos e chorar em cima dela. Todos os dias eu cobrava de Deus o cumprimento dela em minha vida… e hoje se cumpriu… ( choro e risos )
Após o jantar, eu levei minha filha para um passeio no lago.
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